As sete marcações em vermelho da planta não formam uma galeria contínua: são sete ambientes de caráter, escala e pé-direito distintos, distribuídos ao longo de todo o pavimento — do grande salão de eventos ao hall dos elevadores. A expografia precisa costurar esses ambientes num percurso único com o mínimo de interferência no casarão.
Daí a decisão central da proposta: um único módulo, repetido trinta vezes. O painel autoportante da referência — chapa de madeira clara suspensa sobre pés de aço branco — funciona igualmente bem como floresta no meio de um salão de 300 m² e como peça isolada num corredor de 20 m². É ele que dá unidade a um conjunto de espaços que não têm nenhuma.
O sistema é reversível: os painéis apenas se apoiam no piso e se desmontam em um dia. Nas paredes liberadas pelo cliente, as obras podem ser fixadas diretamente, com reparo dos furos previsto na desmontagem.
| Zona | Espaço | Área | Pé-direito | Caráter |
|---|---|---|---|---|
| A | Salão Principal (mesas + palco) | ≈ 302 m² | 4,50 m | Núcleo da mostra |
| B | Sala de Convenções 02 | 82,98 m² | vão H 3,30 | Sala fechada, luz controlada |
| C | Salão Nobre / de Arte | 71,30 m² | 4,43 m | Sala de honra, luz natural |
| D | Bistrô | 35,66 m² | 4,57 m | Convívio, obra e mesa |
| E | Hall dos Elevadores | 38,92 m² | — | Chegada, primeiro contato |
| F | Circulação / Galeria | 20,56 m² | 4,57 m | Passagem, ritmo curto |
| G | Anexo do Backstage | ≈ 22 m² | — | Sala-achado, intimista |
| Total das áreas marcadas | ≈ 575 m² | — | 9,6 m² por artista | |
Áreas de B a F conforme cotas da própria planta. A e G medidos sobre o desenho (escala aferida em elementos cotados: 1 unidade CAD = 3,33 mm; conferência pelo Hall dos Elevadores, 5,94 × 6,55 m = 38,9 m²). A cotar em obra antes da produção.
Uma chapa de madeira clara de 18 mm suspensa a 10 cm do piso por dois pés em "T" de aço branco. É o painel da referência, transposto para dimensão expositiva: 2,30 m de altura total contra os 4,43–4,57 m de pé-direito dos salões — pouco mais da metade, o que preserva a leitura do volume e das cimalhas do casarão.
Cada face é a cota de um artista: 1,20 × 2,20 m, ou 2,64 m² de superfície. Trinta painéis, sessenta faces, sessenta artistas.
Dupla face resolve três problemas ao mesmo tempo: dobra a cota expositiva por metro quadrado de piso, cria percurso (o visitante contorna, não passa reto) e reduz o número de peças a fabricar, transportar e estocar de 60 para 30.
Cada face é numerada — A-01 a A-24, B-01 a B-12, e assim por diante — o que dá ao curador uma grade fixa para distribuir os 60 artistas e ao produtor um mapa de montagem sem ambiguidade.
A distribuição segue a hierarquia dos espaços, não a divisão igualitária: o Salão Principal recebe 40% da mostra porque é o único ambiente que suporta uma configuração escultórica; os espaços de passagem recebem poucas peças, para não virarem obstáculo.
| Zona | Espaço | Painéis | Faces | Artistas | m²/painel | Configuração |
|---|---|---|---|---|---|---|
| A | Salão Principal | 12 | 24 | 24 | 25,2 | Moinho — 4 alas de 3 painéis |
| B | Sala de Convenções 02 | 6 | 12 | 12 | 13,8 | 2 fileiras de 3, corredor central |
| C | Salão Nobre / de Arte | 5 | 10 | 10 | 14,3 | Fileira única no eixo da sala |
| D | Bistrô | 2 | 4 | 4 | 17,8 | Par central |
| E | Hall dos Elevadores | 2 | 4 | 4 | 19,5 | Dois painéis avulsos, eixo livre |
| F | Circulação / Galeria | 1 | 2 | 2 | 20,6 | Painel único no trecho largo |
| G | Anexo do Backstage | 2 | 4 | 4 | 11,0 | Par escalonado |
| Total | 30 | 60 | 60 | 19,2 | 158,4 m² de superfície de obra | |
Quatro alas de três painéis dispostas em moinho, girando em torno de uma clareira central de 4,3 × 4,2 m. O arranjo não fecha nenhum canto: sobram quatro passagens diagonais de quase três metros contra as fachadas, o que mantém as rotas de fuga livres e permite que o salão volte a ser salão em um dia. O palco fica vazio — reservado para vídeo, escuta ou programação de performance.
Duas fileiras paralelas de três painéis formam um corredor central de 3,40 m — a configuração mais próxima de uma sala de galeria convencional em todo o pavimento. Sala fechada, com parede de drywall e luz artificial controlável: é aqui que devem entrar as obras que pedem penumbra, projeção ou som. As paredes novas podem receber obras de grande formato como complemento.
Uma única fileira de cinco painéis assentada no eixo da sala. É o gesto mais contido da mostra, e de propósito: o Salão Nobre tem janelões para a Rua Chile e um pé-direito de 4,43 m que não deveriam ser subdivididos. Um só plano de madeira atravessando a sala organiza a visita sem disputar com a arquitetura.
Os três espaços de chegada e de passagem, tratados com a mesma economia. No Hall dos Elevadores os dois painéis ficam encostados na parede oposta às cabines, preservando 1,50 m livres de manobra: são as primeiras obras que o visitante vê. No Bistrô, um par central para quem senta. Na Galeria, um único painel no trecho largo — as paredes do corredor ficam para o texto curatorial e o mapa da mostra.
Sala pequena entre a coxia e a biblioteca, sem luz natural e fora do eixo principal — a mais reservada das sete. Dois painéis escalonados criam um percurso em zigue-zague de quatro obras. É a sala para o trabalho que precisa de silêncio: fotografia pequena, desenho, vídeo curto. Depende da reconfiguração prevista em planta como "layout interno a construir".
Como o forro não pode ser furado, a iluminação vem de trilhos eletrificados suspensos por cabo de aço nos eixos de circulação, ancorados apenas em pontos existentes — a confirmar em visita técnica. Onde não houver ponto de ancoragem, o mesmo trilho monta em torres verticais autoportantes pintadas de branco, na mesma linguagem dos pés.
A sinalização usa a mesma economia do painel: poucas peças, removíveis e sem resíduo.
| Item | Especificação | Qtd. | Valor (R$) |
|---|---|---|---|
| Painel | MDF 18 mm 1,20 × 2,20 m, lâmina clara, bordas fitadas, trilho embutido nas 2 faces | 30 un | 24.000 |
| Pé em "T" | Chapa de aço 6 mm dobrada, vão 600 mm, pintura eletrostática branco fosco | 60 un | 9.800 |
| Travamento e fixação | Chapas de junção, contrapesos 12 kg, ferragens, cabos e ganchos, fixações em parede | 1 vb | 4.000 |
| Iluminação | ≈ 45 m de trilho eletrificado suspenso + 120 spots LED 15 W / 3000 K / IRC 90 | 1 vb | 33.500 |
| Comunicação visual | 60 etiquetas, 7 placas de zona, 2 painéis de texto, mapa da mostra, adesivos de piso | 1 vb | 6.500 |
| Montagem e logística | Transporte, montagem e desmontagem, consumíveis, ensaio de estabilidade, reparo dos furos | 1 vb | 12.200 |
| Total da execução — R$ 1.500 por artista | 90.000 | ||
Valor total de execução definido em R$ 90.000. A distribuição por item é indicativa e será consolidada no anteprojeto, conforme fornecedor, acabamento escolhido (lâmina natural ou MDF cru selado) e condições de ancoragem da iluminação. Projeto expográfico: R$ 9.000, contratado à parte — investimento total de R$ 99.000.
| Etapa | Frente de trabalho | Zonas |
|---|---|---|
| D-5 | Remoção do mobiliário de eventos e marcação dos eixos no piso | A, B, G |
| D-4 | Montagem dos painéis do Salão Principal e travamento das alas | A |
| D-3 | Montagem dos painéis restantes e ensaio de estabilidade | B a G |
| D-2 | Trilhos, spots, foco e medição de lux face a face | Todas |
| D-1 | Montagem das obras, etiquetagem e sinalização | Todas |
| D-0 | Revisão de foco, limpeza e abertura | Todas |
Cinco dias de montagem com duas equipes de dois montadores. Desmontagem em um dia.
Duas decisões foram tomadas por mim para que a proposta pudesse fechar em números. Ambas são reversíveis e mudam apenas a contagem de painéis, não o sistema.